
Por Cynthia Roncaglio
Miriam Manini nasceu em 13 de janeiro de 1965, em Ribeirão Preto (SP). Aos 18 anos, ingressou no curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Araraquara, onde desenvolveu uma monografia sobre a obra de Lygia Fagundes Telles. Posteriormente, realizou o mestrado em Multimeios na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), concluído em 1993 com a dissertação O Verbal e o Visual no Caso do Foto-Romance, pesquisa que marcou seu interesse pelas relações entre linguagem visual e informação.
Influenciada por autores como Roland Barthes e Susan Sontag, Miriam aprofundou sua formação com especializações em Conservação e Preservação Fotográfica (FUNARTE) e Organização de Arquivos (USP). Sua experiência no Arquivo Edgard Leuenroth (UNICAMP), atuando no tratamento de documentos especiais, consolidou sua trajetória na área da documentação e da preservação. Em 2002, concluiu o doutorado em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP, com a tese Análise Documentária de Fotografias: um referencial de leitura de imagens fotográficas para fins documentários, sob orientação de Johanna Smit.
No mesmo ano, ingressou como professora da Universidade de Brasília (UnB), no curso de Arquivologia. Ao longo de sua carreira, destacou-se pela atuação no ensino, na pesquisa e na extensão; ministrou disciplinas na graduação e na pós-graduação, desenvolveu projetos de extensão, coordenou o curso de Arquivologia e fundou no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCINF), o Grupo de Pesquisa Imagem, Memória e Informação (IMI), vinculado ao CNPq. Suas pesquisas abordaram temas como fotografia, cinema, memória, preservação documental, organização da informação, conservação de acervos e patrimônio audiovisual. Também participou ativamente da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA).
Entre suas principais contribuições acadêmicas estão a organização do livro Imagem, Memória e Informação (2010), em coautoria com Otacílio Marques e Nancy Muniz, que reuniu estudos sobre fotografia, memória e organização da informação; a publicação, em parceria com Cynthia Roncaglio, de Arquivologia & Cinema: um olhar arquivístico sobre narrativas fílmicas (2016), propondo uma metodologia para o uso do cinema no ensino da Arquivologia; e o livro Imagem, Informação, Memória: abordagens acerca da preservação do audiovisual, do cinema e da fotografia (2022), publicado postumamente com a colaboração e finalização de Eliane Braga Oliveira e Ana Lúcia de Abreu Gomes.
Como professora, Miriam formou centenas de estudantes, estimulando o pensamento crítico e a autonomia intelectual, sempre com muita sensibilidade. Era reconhecida pelo rigor acadêmico, aliado à generosidade, ao acolhimento e ao senso de humor. Em 2019, aposentou-se em decorrência de um câncer agressivo, enfrentando a doença com a mesma disciplina, firmeza, coragem e generosidade que marcaram sua trajetória profissional e mantendo um diálogo próximo com amigos e familiares até seus últimos dias. Faleceu em Campinas, em 26 de outubro de 2020, deixando um legado expressivo para a Arquivologia, a Ciência da Informação e a preservação dos documentos imagéticos, além de uma legião de amigos e amigas, admiradores e admiradoras que guardam na memória os vestígios da sua alma alegre, sensível e amorosa.
